Sobre a minha vida: senta que lá vem história!

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Saudade do mozão, né, minha filha?

Bom dia, boa tarde e boa noite, calopsitas deste lugar! Como têm passado? Espero que bem, na medida do possível. Eu não estou muito bem não, queria muito dizer o contrário, mas com este post vocês vão entender exatamente o porquê de eu não estar bem. Na verdade, enquanto escrevo isso aqui, deveria estar trabalhando, mas sinceramente, não consigo me importar menos. Acho que estou quase chegando naquele ponto de jogar tudo para o alto. Ando estressada e cansada e triste e só queria um abraço, sabe. Por isso, vou escrever sobre toda a história e chegar no ponto em que estamos. Mas, calma que tem coisas legais que me ocorreram também. Só posso introduzir com um: seeeeeenta que lá vem história! (desculpem desde já, porque esse post vai ficar MUITO longo mesmo de tanta coisa que tenho pra contar)


Vou começar do começo: faz muito tempo que não falo sobre o que tem acontecido na minha vida aqui no blog e, bem, muita coisa tem acontecido. Acho que tudo começou em meados de março do ano passado (2019), quando eu arranjei um emprego depois de quatro anos anos sem trabalhar. Foi um divisor de águas, e era muito bom lá. Fazia um trabalho tranquilo, o horário era das 6h às 15h, a equipe era bacana, o ambiente era legal. O lado ruim é que era temporário, e fiquei apenas um mês, PJ, mas foi o suficiente pra dar o pontapé inicial pra mim.

Quando estava prestes a encerrar o contrato com eles, fiz uma entrevista em outra empresa, desta vez uma produtora de vídeos e eventos. Tinha aparentes vantagens: perto de casa, CLT, ia aprender coisas novas. Mas, durante a entrevista com o gestor de criação, eu fiquei meio... Sabe quando o santo não bate com a pessoa? Bem, foi o que aconteceu. Minha intuição me disse que aquele cara, ele ia ser problema (guardem essa informação, pois ela é importante). Mas, no fim, eu fui contratada, e acabei indo trabalhar lá, afinal, tinha vantagens e eu não tinha conseguido nenhum outro trampo naquele meio tempo. Mas como fui inocente, pois naquela época eu achava que tava arrasando. Tem até este post onde falei sobre o quanto eu estava animada e tinha arranjado o trampo perfeito e blá, blá, blá...

Bom, eu comecei lá em maio de 2019, mais precisamente, dia 2, que era uma quinta-feira. Esta quinta-feira, meus amigos, pode ter sido possivelmente o dia mais estressante da minha vida?? Como foi horrível, nossa, eu quis morrer. Cheguei em casa e falei pros meus pais que eu não ia mais trabalhar lá, que era horrível, que eu ia só ficar o período de experiência e sair. Foi absurdo: cheguei lá achando que ia ter no mínimo uma ambientação, ia conhecer os colegas de equipe no mínimo, sabe, mas NADA: cheguei lá, assinei os documentos e contratos e já me botaram pra trabalhar, PÁ, assim, do nada. Sem me explicar NADA, sem me apresentar NINGUÉM, eu fiquei mais perdida que cego em tiroteio. Eu não tinha sequer um computador decente pra trabalhar! O gestor (aquele da entrevista que o meu santo não bateu) só me falou pra eu pegar um roteiro com fulano (que, depois, fui conhecer melhor e hoje somos muito amigos, aliás, muita coisa rolou com essa pessoa rs, mas vocês saberão mais pra frente) chamado A. (não vou colocar o nome porque né, vai que essa pessoa encontra meu blog e lê isso aqui lol).

Nesse mesmo dia, me colocaram numa salinha minúscula que mais parecia um calabouço, com um ar condicionado velhão que dava até medo, um Mac (eu nem sei mexer em Mac) que não tinha nenhum dos programas que eu precisava. E tinha outros dois caras que estavam trabalhando lá naquele dia, na mesma salinha, que eu achei que eram pessoas da mesma área que eu e tal, mas depois fui entender quem eles eram. Um deles era um freela que só trabalhou por dois dias lá, os dois dias que fiquei na salinha, os meus primeiros dois dias. O outro era de uma outra área da empresa e só estava lá porque o andar da parte comercial estava em reforma. Então, além de tudo, como a empresa estava em reforma, estava a maior bagunça, sem lugar pra todo mundo, etc. Eu cheguei em meio ao completo caos. E, para piorar, na segunda-feira seguinte ia ter um evento gigantesco de 4 dias - e em época de evento grande assim, fica uma loucura lá.

Pois bem, na sexta-feira continuou a mesma loucura, o mesmo estresse, a minha mesma vontade de nunca mais voltar pra lá, mas pelo menos eu tinha alguém pra conversar lá na salinha e não estava tão sozinha. Só que aí aconteceu algo que me deixou puta: na sexta-feira à noite, o gestor veio me pedir pra ir ao evento que ia rolar na semana seguinte. Eu falei que tudo bem, mas perguntei como seria: horário, se eu tinha que ir sozinha ou iriam nos levar com alguma van... E eu também não fazia ideia do QUE eu ia fazer naquele inferno daquele evento que eu sequer sabia do que se tratava. Sabe, tudo simplesmente jogado na sua cara, total desorganização. Nisso, o gestor me disse que era para eu ir até a empresa na segunda-feira às 7h da manhã, pois teria alguém pra me levar lá. Eu sinalizei pra ele que morava bem perto do local do evento e seria mais fácil ir sozinha, mas ele disse que não, que era melhor eu ir até a empresa nesse primeiro dia pelo menos. Eu concordei, pois afinal, achava que ia ser uma van levando várias pessoas e equipamentos para esse primeiro dia.

Mas EIS QUE, na segunda-feira, aconteceu o seguinte: cheguei na empresa como combinado às 7h da manhã e não havia NINGUÉM lá. Eu perguntei então ao recepcionista de plantão onde estava todo mundo, porque teria um evento e me disseram pra ir até a empresa porque iam me levar, e ele não sabia de nada???? Aí, alguns minutos depois, apareceu um senhor (que depois fui descobrir que é tipo o braço direito do dono da empresa, embora ele seja uma pessoa completamente caricata) e me perguntou por que eu estava ali. Eu disse que o meu gestor tinha me pedido pra ir até lá porque alguém ia me levar no evento. Aí ele falou: "eu vou pra lá daqui a pouco levar o caminhão, mas ninguém me avisou nada." Aí eu fiquei ??????? Então, ele ligou para o meu gestor e, pasmem: ele tinha ESQUECIDO de avisar que eu ia pra lá na segunda!! MANO??? E se não tivesse ninguém pra me levar? Eu ia ter que ir de transporte público ou de Uber, ia demorar muito mais e ser o maior tempo perdido. Enfim, fomos, eu e o senhor, no caminhão. Ele, inclusive, reclamando pra mim com a seguinte frase que nunca esqueço: "o cara é gestor de comunicação e não sabe se comunicar, aí complica, né" (e poucas palavras foram ditas tão certeiramente como essas). Chegando lá, ainda tivemos um problema no estacionamento, e tivemos que andar pra um caralho até chegar no lugar (foi no Expo Center Norte e lá é ENORME). Detalhe: nesse dia eu já acordei puta porque eu poderia muito bem ter ido sozinha e chegado muito antes no local do evento, e quando aconteceu essa história, eu fui ficando cada vez mais puta com a situação absurda em que me colocaram.

Enfim, consegui chegar no local e lá conheci mais algumas pessoas e descobri o que eu ia fazer: ia trabalhar de logger. Obviamente, eu não sabia o que era isso e perguntei à moça da produção, que me disse que logger era a pessoa que descarregava os cartões de memória das câmeras e organizava os arquivos em HDs para facilitar o trabalho de edição dos vídeos depois. Beleza, parecia fácil e simples, uma tarefa ok para um início de carreira. E eu também não trabalharia sozinha, mas com um menino que conheci lá, que vou chamar de N. Um detalhe: eu fiquei com um belo crush no N. por um tempo ahsuahshaushhaus (e sim, eu não sou muito fã da palavra crush, mas vou usá-la nesse post por falta de opção melhor e falarei bastante disso xD) Bom, esses quatro dias de evento, tirando o stress da segunda-feira, foram muito bons, eu conheci bastante gente bacana e gostei muito do trabalho lá, era diferente, aprendi muito.

Com isso, eu achei que iria participar de muitos eventos estando lá, já que cheguei e fui logo mandada pra um. Mas a verdade é que eu nunca mais fui enviada pra um evento. xD

Esse gif do Yato sou basicamente eu na quarentena

Continuando a história: depois disso, conheci as outras pessoas do meu setor e fui fazendo amizades, consegui um computador bom e uma mesa minha, entendi como rolavam as coisas lá... Enfim, fui me acostumando e entendendo como funcionava. Algumas semanas depois que entrei, entrou também um menino na mesma área que eu, vamos chamá-lo de J. Eu fiquei feliz pois finalmente teria uma companhia ao meu lado, porque até então eu estava bem sozinha ali onde eu ficava. E acabou que nós ficamos muito amigos, ele é uma pessoa sensacional. E a partir daí, fiz amizade com mais algumas pessoas e fizemos um grupinho muito legal, sabe. Eu comecei a me sentir bem trabalhando lá graças a essas pessoas com quem tinha um bom relacionamento e achei que não parecia tão ruim, então desisti da ideia de ficar só até acabar a experiência, fui efetivada e continuei por lá.

Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu. Uma delas foi que eu desenvolvi um crush no A., aquele láááá do primeiro dia. Como eu não via muito o N., acabei deixando de lado o crush nele, mas um belo dia, me peguei pensando no A. e falei: "uau. É mesmo, né?" Enfim, acabei então começando a gostar dele de verdade com o tempo e a convivência. Eu acabei me apaixonando por ele MESMO. Mas, não tive coragem de falar com ele sobre isso porque eu não achava que ele sentia o mesmo. E fiquei tentando mandar indiretas e tentando descobrir se ele poderia sentir alguma coisa por mim. Então, depois de muito ponderar e criar muita coragem (com uma dose de álcool), perguntei a um dos nossos amigos em comum lá (vamos chamá-lo de T.), que trabalhava diretamente com ele, se ele achava que A. tinha algum interesse em mim. Nisso, T. falou assim: "hm, acho que não, talvez ele tenha na B... Mas por que você tá me perguntando isso?" (gente, eu fiquei passada nesse dia com a falta de sensibilidade do T., porque era óbvio que, se eu estava perguntando isso, era porque eu estava interessada no A.). Aí eu disse que estava afim dele, e T. finalmente entendeu e disse que não sabia, mas que poderia dar uma sondada pra mim se eu quisesse. O problema é que ele nunca fez isso. Apesar de tudo isso e de ele não ter me ajudado, eu ainda gosto muito do T. hahahahahahaha

Até que, um belo dia, acho que em meados setembro, A. foi enviado pra trabalhar numa outra unidade da empresa, em outro lugar. Eu fiquei BRAZIL, I'M DEVASTATED porque só soube no dia que ele não apareceu e perguntei pro T. se ele sabia do A., e então ele me deu a notícia de que tinham o mandado pra lá, pra cobrir as férias de alguém. Eu tentei não demonstrar a minha decepção naquele dia, e acho que fiz um bom trabalho em esconder, mas fiquei muito mal. Conversei até com minha amiga Bel, e muito, sobre isso, e ela me confortou bastante dizendo que isso poderia ser uma oportunidade de me aproximar mais dele, conversando por mensagem durante o dia. E foi o que eu fiz durante esse UM MÊS que ele ficou fora. Mandava memes, comentávamos nos status do Instagram um do outro, eu perguntava como estava. Até que um dia, ele me contou que ia viajar para um trabalho lá no Pará por uma semana. E nisso, minha psicóloga, que estava acompanhando toda a história, me disse para tentar uma coisa: pedir pra ele trazer uma lembrança para mim de lá. Eu fiquei pensando "meu deeeeeus, não vou conseguir, não tenho coragem, como que peço uma coisa dessas???", mas no fim, eu consegui! Criei coragem, só que não foi bem o que eu tinha em mente no início. Eu ia pedir pra ele trazer sei lá, um chaveirinho ou algo assim, mas estávamos conversando e ele comentou que tinha experimentado uma cachaça lá num mercado famoso de Belém, e eu falei na hora, meio sem pensar: "nossa, eu queria experimentar também, traz uma pra mim?" HAUSHAUHSUHAUSH GENTE, EU NEM GOSTO DE CACHAÇA!!!

E aí eu fiquei nessa expectativa, sem saber que ele ia mesmo trazer algo pra mim de lá ou não... Até que, na sexta-feira daquela semana (que era o dia que ele estaria de volta da viagem), eu cheguei lá na empresa, como sempre, e fui fazer minhas coisas. Mas, teve uma hora que eu desci e fui conversar com um colega meu (vamos chamar este de C.), e fiquei, tipo, uma hora lá na salinha dele conversando, e esqueci de levar o celular. Quando finalmente voltei pra minha mesa... Uma mensagem do A. Era assim: "depois dá uma olhada dentro da sua gaveta" E eu já comecei a me tremer toda, porque eu não acreditava que isso era real... Então, depois de muito suspense, abri a gaveta e lá estava: A CACHAÇA!!! ASHAUSUHAUHSUAHS E não apenas uma, mas DUAS!!! Ele trouxe duas cachacinhas (daquelas que são pequenas em garrafinhas decorativas, sabem??) e quando eu vi que ele lembrou de mim, realmente pensou em mim, se deu ao trabalho de ir lá comprar e AINDA FEZ UMA SURPRESA PRA MIM??? Eu tive que sair correndo e ir até o banheiro pra CHORAR, de emoção. Eu fiquei muito emocionada mesmo com esse gesto, eu não estava esperando, muito menos dessa forma, e foi muito fofo. Aí acabei ainda mais apaixonada. E, na semana seguinte, ele estava lá de volta, finalmente!

Mas, apesar de tudo isso, eu não criei coragem pra ir lá contar meus sentimentos ou chamá-lo pra sair. Pois é, o meu timing é horrível, e acho que se fosse a eu de uns 5 anos atrás, ela não teria tido a menor demora em chamá-lo pra sair. É um fatasso que quando a gente é mais novo, é mais corajoso e inconsequente, e conforme vamos ficando mais velhos, a gente vai se contendo em diversas coisas e ficando com medo de, sei lá, cagar tudo. Mas eu estava realmente, de fato, pensando em maneiras de fazer isso acontecer. Estava já planejando chamá-lo para ir ao cinema, sair algum dia. Pois bem. Só que eu demorei e o que aconteceu? Tomei no cu. Pois eis o que houve: lembram da tal da B., que o T. tinha comentado comigo naquele dia em que confessei a ele que estava a fim do A.? Pois então, nos éramos/somos amigas, nós entramos lá na empresa no MESMO dia, passamos os mesmos perrengues, ficamos amigas junto com todo o grupinho que eu citei, então, eu gostava muito dela, muito mesmo. Mas, como tudo que é bom dura pouco, algo bem ruim estava prestes a acontecer.


Numa bela sexta-feira, em meados de outubro, estávamos num happy hour (toda sexta-feira tinha, e era por conta da empresa) e A. e B. começaram a conversar, digamos, muito. Aparentemente, começou a rolar um clima naquele dia. E eu só de olho. Até fui atrapalhar em alguns momentos (involuntariamente, foi puro instinto), mas assim, estavam só conversando. Mas teve um momento naquela noite em que B. resolveu sair pra comprar um cigarro e A. decidiu acompanhá-la - e aí, era meio óbvio o que tinha acontecido. Ainda assim, eu quis tirar a prova porque eu não ia aguentar conviver comigo mesma e com mais ninguém sem saber o que tinha ocorrido de fato naquela noite. Então, no sábado, mandei uma mensagem à B. perguntando se estava tudo bem, porque eles não tinham voltado naquela noite e eu e o resto do pessoal tínhamos ido embora um pouco depois. Ela falou que estava tudo bem e que também foi pra casa logo depois. Aí eu criei coragem e disse a verdade: falei que estava preocupada por ela e o A. terem saído juntos, porque eu estava afim dele havia um tempo, expliquei tudo. Aí ela demorou HORAS pra me responder e eu já estava morrendo de ansiedade, até que ela me respondeu com um textão, mas a única parte que me interessava desse textão era a que ela disse o que eu já sabia: que eles tinham sim ficado naquele dia. Aí pronto, fiquei devastated novamente, fiquei MUITO mal depois disso por vários dias. Isso tudo porque, no fundo, eu tinha o pressentimento de que o A. gostava da B. e talvez tenha sido por isso que eu nunca criei coragem de falar com ele - tinha medo da rejeição que eu tinha uma intuição de que iria ocorrer. Ou, talvez, o meu pessimismo tenha gerado essa energia que fez com que o contrário do que eu queria acontecesse. E olha que eu queria ficar feliz por eles, mas sei lá, sou humana, sabe.

Só que o estranho é que, depois disso, eu não soube mais o que estava rolando entre eles. Eu não perguntei e ninguém me contou, mas o fato era que ou eles estavam querendo esconder ou não estava rolando nada sério entre eles, porque ninguém mais da empresa ficou sabendo (e obviamente eu também não contei pra mais ninguém). E com isso, eu fui ficando com a pulga atrás da orelha... Tipo, será que eles se gostam? Será que só ficaram por ficar? Será que estão ficando de vez em quando ou com frequência? Será que pararam? Eu tentava pegar umas deixas, descobrir de alguma forma, mas simplesmente parecia que nada estava rolando. Mas, como eu não sabia e estava com uma certa raiva dos dois, principalmente do A. (embora eles sejam inocentes por não saberem de nada, e eu compreendi completamente), e também porque respeitava e gostava muito dos dois, decidi deixá-lo pra lá. Superá-lo e pronto.

E foi o que aparentemente consegui fazer por um tempo. Continuamos todos amigos, o resto do grupo sem saber de nada, saíamos, fazíamos trabalhos juntos, enfim. Fui seguindo. E, coincidentemente, foi em outubro também que eu comecei a fazer mais amizade com um outro menino, de outro setor da empresa (vamos chamá-lo de F.). Ele era meio esquisito no começo, mas depois que conheci melhor, fui gostando dele também. E, então, esse menino começou a se esforçar MUITO pra me conquistar ashhasuhasu E no começo eu ficava "ah não, sem chance, o F., sem chance, eu não gosto dele" - mas acabou que fomos nos aproximando e eu passei a gostar dele também. Talvez não de uma forma tão forte quanto com relação ao A., mas pelo menos o F. estava afim de mim.

Com isso, chegamos em dezembro de 2019, e veio o dia da festa da firma. A famosa festa de fim de ano, que muita gente tinha comentado comigo, na qual todo mundo ficava louco - ora, eu nem estava interessada em ver pessoas bêbadas. Eu tinha a intenção de ir só pra curtir com a minha galera mesmo e pronto. Mas, no dia da festa, à tarde, antes dela, eu estava conversando com F. pelo whatsapp e foi uma conversa bem... Esclarecedora. Eu já sabia que ele gostava de mim, e já estava pensando em dar uma chance pra ele. Nessa conversa, ele deixou claro que estava gostando de mim e que queria ficar durante a festa, se eu também quisesse. Eu deixei pra responder durante a festa, e minha resposta foi sim - acabamos ficando naquele dia.

Mas, como tudo que é bom dura pouco e a minha vida é triste, logo após ficarmos, naquele dia, eu fiz uma pergunta que eu simplesmente tinha que fazer. Eu precisava saber, porque era algo muito importante pra mim: perguntei em quem ele votou nas eleições passadas (sim, gente, eu não poderia ficar com bolsominion, foi mal aê quem acha isso absurdo, mas pra mim isso é praticamente um dos ÚNICOS critérios - porque, convenhamos, se a pessoa concorda com Bolsonaro, ela discorda de TUDO que eu prezo e todos os meus ideais, então meio que é um ótimo critério lol). E, infelizmente, ele disse que sim (pelo menos foi sincero - aliás, se tem uma coisa que F. é, é sincero xD). Mas eu, ainda assim, resolvi dar uma chance a ele. Então, ainda ficamos naquele dia e durante a semana ficou meio em aberto o que aconteceria entre a gente. Eu fiquei ponderando MUITO sobre isso durante aquela semana e, na sexta-feira, decidi que ia dar um fora nele. Justamente por essa motivo das nossas divergências - óbvio que conversamos muito durante aquela semana, e tivemos várias divergências, mas eu me sentia muito mal por estar com alguém que pensava algumas coisas que eu acho tão horríveis. Não que ele fosse bolsonarista, aliás, disse ele que só votou porque achou que o PT seria um desastre e gostava do Paulo Guedes (coisas que também discordo, mas pelo menos demonstravam que ele não era gado aliás, fico bem curiosa de saber o que ele está pensando sobre o que está acontecendo agora nessa pandemia). Sei que pode parecer, e pra algumas pessoas com quem conversei pareceu, um tanto "radical" eu não querer ficar com alguém só por ter divergências políticas. Mas, a MEU ver, e acho que minha opinião e sentimentos tem que ser respeitados, as nossas divergências não eram políticas, partia de toda uma ideia de vida e caráter que simplesmente não batiam. Eu sabia que não ia dar certo, estava fadado a isso, e não sou o tipo de pessoa que investe num relacionamento sabendo que vai dar merda (lembrando que minha intuição é ótima e ela SEMPRE me avisa das coisas importantes com antecedência).

Então, foi o que fiz. F. ficou triste, é claro, compreensível, mas tudo bem, só ficamos uma ou duas vezes. Ele entendeu também, embora não tenha concordado muito com meus motivos, mas respeitou e me deixou em paz, que é algo que prezo muito também. Isso foi na véspera de Natal, e depois entramos de férias coletivas e só fui ver todo mundo de novo lá pro dia 6 de janeiro. Nesse meio tempo, eu não posso dizer que fiquei bem - embora tenha sido eu que dei o fora no F., fiquei mal por conta disso. Fiquei triste por ele e por toda a situação e estava com saudades, é claro, porque acima de tudo, a gente ficou muito amigo e eu conversava com ele o dia inteirinho, então, claro que senti falta imediatamente após essa finalização.


Durante esse meio tempo, aconteceu uma coisa importante relacionada ao trabalho também: eu fui promovida! Em dezembro, meu gestor me chamou para conversar e disse que gostava muito do meu trabalho e dedicação, e que eu iria receber uma promoção a partir de janeiro. Não foi grandes coisas, subi tipo do nível 1 ao nível 2, mas já é ALGUMA coisa. Então, embora eu não tenha ficado muito extática com isso, porque eu já achava que merecia muito mais do que aquela promoção por tudo que eu vinha fazendo, lógico que agradeci e me comprometi ainda mais. Em janeiro, a promoção realmente veio - embora tenha sido meio bagunçado, como tudo é por lá - mas no final deu certo.

E, no meio disso, uma coisa muito doce e amarga ao mesmo tempo aconteceu: J. saiu da empresa. Sim, o meu maior companheiro de lá, a pessoa com quem eu mais podia conversar e me identificar, saiu. Ele estava de saco cheio e arranjou outro trampo muito melhor, e em janeiro, eu já não tinha mais a sua companhia. E, claro, eu estava muito feliz por ele ter arranjado um emprego melhor e estar se realizando - inclusive, nessa mesma época a namorada dele, que era do Rio, veio morar junto com ele (ou seja, praticamente casou). Então, fiquei muito feliz por todas as conquistas dele - mas a parte egoistazinha de mim, aquele divertidamente invejosinho e egoísta, deu uma aparecida de vez em quando pra me lembrar de como eu estaria meio sozinha novamente sem ele. E, de fato: as coisas nunca mais foram as mesmas.

Voltando agora ao assunto dos romances: logo no início de janeiro, após conversar com a minha psicóloga e com Bel, que estão sempre acompanhando a minha vida, e refletindo sobre meus sentimentos, eu decidi dar uma segunda chance ao F. Achei que pudesse ter sido um pouco injusto mesmo tê-lo chutado sem conhecê-lo mais a fundo, sem ter dado uma chance REAL. Então, fui lá e fiz - muito embora minha intuição me dissesse desde o começo que não ia dar certo. Conversei com ele, respeitosamente, explicando tudo, e dizendo a ele que, caso ainda quisesse (que obviamente eu entenderia se não), eu gostaria de tentar de novo. E então ficamos novamente.

Nós ficamos por aproximadamente um mês depois disso. Mas não conseguimos sair porque, bem, minha vida é uma loucura - quando não estou trabalhando, estou com a minha filha, e é muito regulado o tempo que posso passar sem ser numa dessas duas coisas, e ainda mais saindo. Outro empecilho é que o menino mora super longe, numa cidade vizinha a SP, o que já tornava as coisas um pouco mais complicadas. Mas ok, durante janeiro e uma parte de fevereiro, ficamos. Não posso dizer que foi nada mais do que isso, though.

Mas eis que, novamente, o universo acha que minha vida está monótona demais e fala: "vamos colocar um plot twist na história da Heloísa? Só pra dar uma emoção, um draminha, vai, vai ser legal!" E uma coisa bizarra e completamente inesperada acontece: lembram do A., o menino por quem me apaixonei loucamente e ficou com a minha amiga e que eu "superei?" Pois bem. A. entra em ação novamente! E aí está o provável maior plot twist de toda a minha história no último ano: quando eu estava ainda ficando com F., teve um happy hour e A. me perguntou sutilmente se eu ainda estava ficando com ele. Eu não achei que fosse uma pergunta com segundas intenções, então respondi tão espontaneamente que, sei lá o que deu em mim: "é, a gente está mais ou menos..." O que não era, aliás, uma mentira. Eu já estava pensando em terminar com o F. (de novo) porque, após um mês, tinha conseguido conhecê-lo melhor e realmente não estava rolando, eu não estava me sentindo feliz e realizada e estava totalmente "meh". E, só pra constar: F. não é uma pessoa ruim, nem nada disso, embora possa parecer pela forma como estou narrando. É só que ele simplesmente não era pra mim. Como amigos, nos dávamos muito bem, só que não deu certo como algo a mais e tudo bem.

Bem, voltando àquele happy hour. Como mencionei, eu não pensei nada sobre aquela pergunta. Até tinha esquecido disso e estava numa boa, cheguei em casa, estava fazendo minhas coisinhas, jantando ou sei lá, até que me chega uma mensagem de ninguém mais, ninguém menos que... A. O abençoado teve os culhões. Era simplesmente um "oi" e mais nada. Eu, sem entender direito, porém já assumindo que algo ia vir depois desse oi, e se fosse o que eu estava imaginando, entraria em choque, respondi um "oi" também. Então, ele me manda na lata: "quer ir no cinema um dia desses?" e eu fiquei... Em choque, como já tinha previsto. Eu nem sabia o que responder. Fiquei tremendo toda. Aquela história de ter superado? Foi por água abaixo. Eu não tinha superado NADA. Que INFERNO. Eu estava num misto completo de alegria (pelo crush ter me notado), choque (pela surpresa do momento) e falta de reação (por ter que tomar uma decisão entre duas pessoas que eu gostava muito). Ponderei bastante, mas ao mesmo tempo nem tanto assim, porque acho que minha decisão já estava tomada há muito tempo, muito antes sequer de F. entrar na jogada. Eu sabia que, se um dia A. me chamasse pra sair, eu iria. No fundo, eu já sabia.

Então, após algumas horas, respondi que sim - aliás, não foi só um sim, foi um "caralho. sim.", e eu me senti tão idiota depois disso, mas ao mesmo tempo tão idiotamente feliz, porque sempre que eu respondia algo pro A., era com uma espontaneidade sincera. E então foi isso. Eu mal podia acreditar que o mundo deu tantas e tantas voltas pro A. finalmente me notar! Só que me restava um grande problema: F. Sei que algumas pessoas iriam simplesmente tacar o foda-se e falar "então, meu parcero, foi mal, vou mais ficar contigo não, bença" - mas eu me senti na obrigação moral de dar uma devida explicação a ele; até porque, eu sabia que F. gostava de verdade de mim. A reação dele depois que eu dei o fora pela segunda vez foi a maior prova disso. Bom, eu pensei muito numa forma de fazer isso, mas a melhor forma que encontrei foi, bem... Ser sincera. Honesta, como ele sempre foi comigo e como eu sempre gosto de ser. Um detalhe importante: a gente tinha combinado de sair no sábado, no dia seguinte à minha troca de mensagens com o A.

Nesse mesmo sábado, então, foi que eu resolvi conversar com o F. Não queria sair com ele só pra dar o fora, porque achei que seria muita falta de respeito, e não queria ter que fazer isso por mensagem também, obviamente. Mas a mensagem foi a opção menos pior, e eu já sabia que ele ficaria puto de qualquer jeito. Sei que, nessa altura da história, muita gente simplesmente iria sair com o outro enquanto ainda estivesse com um e zero peso na consciência, ainda mais sendo só ficante; mas eu, particularmente, não consigo. E principalmente nessa situação em específico, pois, vejam bem: eram dois colegas de trabalho. Eram duas pessoas com as quais eu convivia todos os dias e que se conheciam também. E outra, não consigo mentir e muito menos me sentir normal com isso. Minha consciência vai lá pro núcleo da Terra. Então, optei por mandar a mensagem, e falei basicamente a verdade: que o A. tinha me chamado pra sair e que eu aceitei, porque eu gostava dele há um tempo (como já havia contado pro F. anteriormente) e que, pelo respeito que eu tinha pelo F., precisei contar a verdade e terminar o que tínhamos antes de sair com uma outra pessoa. Compreensivamente, ele ficou puto, disse que eu nunca tinha gostado dele realmente, que a única vez que íamos conseguir sair apropriadamente, eu chego com essa bomba, enfim. Tudo muito compreensível. E eu sinto muito pelo F. porque eu também estaria me sentindo péssima no lugar dele, e de fato eu me senti péssima por dias por ter feito isso com ele. Eu não queria que fosse assim, mas quanto mais penso nisso, mais acredito que tomei a menos pior das escolhas nessa questão.

Queria estar assim com o Viktor que eu gosto ;u;

Mas, enfim, passado o problema com F., me restava finalmente sair com A., afinal, a pessoa que eu gostei por tanto tempo. Eu nem sabia se ainda sentia o mesmo, nem sabia o que esperar, se eu iria gostar ou me decepcionar. Fiquei bem ansiosa, mas no fim, posso resumir assim: foi um date perfeito. Não fomos ao cinema porque era dia de semana e saímos tarde do trabalho, então pulamos logo pra um barzinho; bebemos um pouco, comemos, conversamos, depois ficamos e fomos pra casa dele - com direito a Netflix e tudo - mas foi perfeito pra MIM. Eu não sei se foi pra ele, mas pra mim foi. Se teve um dia que eu tive realmente feliz este ano, foi o dia em que saí com A.

Então, até aí estava tudo bem. Certo? Errado. Errado, pois, como eu já disse anteriormente diversas vezes durante esse texto: tudo que é bom dura pouco, e acho difícil existir verdade mais absoluta do que essa. Pois bem. O dia seguinte ao nosso encontro foi, no mínimo... Estranho. Senti que fui levemente evitada, mas assim, estava aparentemente tudo normal. Tudo como era antes. E eu estava com um pouco de medo desse "tudo como era antes", porque, bem... Depois disso, como você pode voltar ao normal? Eu não consigo. Pelo menos não em um curto período de tempo. Fato é que eu queria mais, é claro; mas eu sentia que ele não. Que ele só queria sair uma vez e pronto. Mas se eu estava certa ou errada, o tempo diria.

Eis que, duas semanas depois, criei coragem e fui falar com ele. Como ele não tinha se manifestado, eu fui chamá-lo pra sair de novo. E, então, como era de se esperar (desculpem se eu soo pessimista, mas vejam que as minhas previsões REALISTAS quase sempre estão corretas): ele disse que me achava incrível, mas que achava melhor continuarmos só amigos. Ah, que coisa dolorosa de se ouvir... A justificativa foi que ele estava planejando voltar para a cidade dos pais dele, por isso ficaria inviável continuarmos... O que quer que fosse. Se eu caí nessa desculpa esfarrapada? Claro que não. Mas eu fiquei com medo de perguntar a verdade. Uma, fiquei com medo de perguntar e ser uma verdade cruel demais; duas, fiquei com medo de perguntar e ele insistir na justificativa inicial que obviamente não era uma verdade; e três, fiquei com medo de perguntar e parecer muito desesperada e grudenta (o que eu obviamente nunca demonstrei ser, acho que mostrei até o contrário por diversas vezes, mas o medo torna a gente meio irracional). Porque, para vocês entenderem: a cidade onde os pais dele moram fica a tipo, uma hora de São Paulo. Não é nenhum absurdo, não seria nenhuma dificuldade manter algum tipo de relacionamento. E outra, quem disse que eu queria um relacionamento (embora, sim, eu quisesse sim)? Eu só queria sair uma segunda vez. E ele não iria pra cidade dele tão já a ponto de não dar pra sairmos pelo menos mais uma vez. Isso tudo me fez crer que era só uma desculpa, mas ainda assim, não perguntei de novo. Deixei quieto. Dessa vez eu resolvi deixar pra lá esse menino problemático com o timing pior ainda do que o meu, que me causou vários transtornos e momentos de sofrência (isso porque eu nem mencionei de uma vez que ele postou um stories com uma menina no Rock in Rio do ano passado, e eu fui com a ajuda de Bel pesquisar a fundo e descobrimos que era a ex dele, e que eles ainda eram muito amigos e naqueles stories num primeiro momento parecia bastante que tinha rolado um remember??). Depois, fui conhecendo-o melhor e ele me contou da história com a ex e também me explicou a história com a B. (bom, mais ou menos, eu gostaria de saber melhor hasuhauhsaha). Mas ainda assim: depois desse fora que eu levei, um fora de verdade, foi mais fácil superá-lo. (quer dizer, espero que eu tenha superado mesmo dessa vez) Foi bem mais fácil, porque ele me deu motivos ME DÊ MOTIIIIVO.... PRA IIIIR EMBORAAAA.... ESTOU VENDO A HORAAAA.... DE TE PERDEEEER



E, o engraçado é que, depois disso, parece que tudo foi desmoronando aos poucos. Alguns colegas lá do trabalho, do meu grupinho da super amizade, foram mandados embora. N. foi mandado embora. B. foi mandada embora. T. foi mandado embora (todos no mesmo dia, aliás). E, aliás, duas semanas depois que dei o fora no F., o que aconteceu? A mãe dele morreu. Gente. Eu fiquei tão, mas tão mal... Eu nem conhecia a mãe dele pessoalmente, é verdade, mas ele me falava tanto dela que eu já sentia uma empatia por ela, sabem. E outra, qualquer pessoa que seja, mesmo que um desconhecido: perder a mãe é devastador. Ela morreu na véspera do Carnaval. E o pior era que eu não estava mais falando com ele - ou melhor, ele não estava mais falando comigo. Deixou bem claro que não queria a minha amizade e me bloqueou de algumas redes sociais - foi por acaso que eu soube da morte da mãe dele e eu fiquei muito, muito abalada. Porque eu não pude nem dizer o quanto sentia muito por isso. Não faria sentido, entendem? Eu tinha certeza que só iria piorar as coisas se eu falasse algo pra ele. Então, guardei comigo, chorei sozinha e fiquei rezando pela mãe dele e pela família toda. Mas pelo que ainda consigo saber dele, está bem agora. Está do jeito dele, claro que certamente ainda abalado e de luto, mas pelo menos eu fico aliviada de ter notícias e saber que ele está bem. E digo isso porque, logo após a morte dela, ele pediu demissão, então desde então não o vejo mais.

E, depois de tudo isso, o que temos? Pois é. CORONAVAIRUS! Como desgraça pouca é bobagem, como tudo que é ruim tem que acontecer aparentemente ao MESMO tempo, simplesmente chegou uma pandemia pra assolar todo o território global e a humanidade. No começo, ninguém ligou muito porque "ah, era só na China" e eu confesso que fui uma dessas pessoas que ignorou bastante o vírus lá no início do ano. Eu ria dos memes e ficava acompanhando no meu canto, mas demorou muito pra cair a ficha de que isso iria chegar às proporções que chegou. E meio que quando todo mundo percebeu, já era tarde demais. E com todo mundo eu digo todo mundo que tem consciência, porque ainda tem uns fdp que acham que nada está acontecendo. Mas enfim, eu acho que nem preciso falar disso aqui, estamos saturados. Isso foi só uma introdução para eu continuar a narrativa da minha vida desgracenta:

Pois bem, chegamos em meados de março e a COVID-19 já era uma pandemia em escala global e já estava inclusive no Brasil. Foi muito rápido. E eu já estava BEM consciente e bem assustada e só queria ficar em casa e preferencialmente em posição fetal, talvez hibernando até o fim disso tudo. Mas eu não podia, porque a minha empresa ainda estava de portas abertas e presencial e eu tinha que sair e pegar ônibus todos os dias e chegar perto de pessoas e eu estava ficando paranoica. Até aí tudo bem. Um belo dia, então, dia 20 de março, que aliás era a data limite antes de iniciarem a quarentena em SP, o dono da empresa resolveu que íamos todos fazer home office, algo que eu já vinha pedindo pro meu chefe há mais de semana. Então, organizamos tudo e fomos. A primeira semana de home office foi ótima, confesso: foi bem tranquila, não teve quase nenhum trabalho, eu estava mil vezes menos estressada só por estar segura dentro de casa com minha família.

Mas tudo iria mudar quando a empresa optou por tomar algumas decisões: uma delas foi reduzir o salário de todo mundo. A outra foi dar férias a algumas pessoas. E a última, vou contar logo mais. Nesse primeiro momento, eles disseram que não iam demitir ninguém. Ceticamente, eu fiquei na minha. Convenhamos: é uma empresa de eventos. Sim, fazemos outras coisas, mas os eventos são o carro chefe, o que gera o maior lucro, e não tá tendo. Isso estava completamente fadado a dar errado. Bem, sobre as reduções: meu salário foi reduzido como o de todos e eu fui uma das pessoas a pegar as férias obrigatórias. Não tive opção. E foi aí que começou meu stress completo e generalizado.

Eu to só o Yuri chorando no chão kkkk

O que aconteceu foi que: entrei de férias dia 20 de abril e não parei de trabalhar um dia sequer. Não para de vir demanda e ninguém tem a mínima empatia de pensar "hm, ela está de férias, não pode trabalhar, vamos passar os jobs pra outras pessoas". Nada. E por que isso? Porque eles demitiram, sim, pessoas. Demitiram 30% - isso mesmo, trinta por cento - do nosso pessoal. Isso pouco depois de falarem que não iam mandar ninguém embora. Mandaram um monte de gente da minha equipe, do meu setor, e só sobraram alguns gatos pingados trouxas pra aguentar a carga de 10 pessoas sozinhos. E é por isso que estou tendo que trabalhar durante minhas férias que foram IMPOSTAS, das quais não tive escolha, e novamente não estou tendo escolha de não trabalhar, porque se eu fizer isso, com certeza a próxima a ser demitida serei eu. Mas, na verdade, o motivo pra eu estar fazendo os trabalhos que me mandam não é nem o medo da demissão (honestamente, seria uma bênção eu ser mandada embora agora) - mas sim, porque eu fico com dó e tenho empatia pelos que estão carregando agora tudo nas costas. Essa coisa da demissão em massa foi a gota d'água pra mim, porque: não houve transparência nem clareza, porque tinham dito que não iam demitir ninguém e mesmo assim o fizeram; não houve franqueza, porque os motivos que alegaram para as demissões foram obviamente fora da realidade; e não houve empatia, porque os que ficaram estão completamente sobrecarregados e ainda ganhando muito menos pra trabalhar muito mais. Sim, NÓS temos SIM empatia pela empresa, entendemos que é um seguimento muito afetado, um momento de crise, uma questão temporária, mas nós não somos escravos. Sem nós a empresa não vai funcionar de qualquer jeito e, se continuarem a nos tratar dessa forma, vão perder os funcionários um a um. E eu sei que não sou a única indignada porque converso com uma galera e tá todo mundo p* da vida.

Todos nós sabemos que os funcionários do nosso setor que foram demitidos saíram unica e simplesmente porque: eram os que ganhavam os salários mais altos e, o motivo principal: eram quem o gestor mais detestava ou tinha treta. Alguns foram até compreensíveis, mas um deles em especial, era aquela pessoa que fazia tudo, estava sempre pronta a ajudar, era um dos meus coordenadores. Ele é um cara sensacional, foda no que faz, trabalha que nem o cão e estava lá há anos, conhecia tudo como funcionava e os clientes e tudo o mais. Ele é uma pessoa incrível. Uma pessoa que, sabe, você se sente grato por conhecer e deseja que aconteça tudo de bom na vida dela. E ele simplesmente foi demitido, pelo quê? Porque o gestor não gostava dele. Ou tinha inveja, ou tinha medo de ter o tapete puxado, sabe-se lá porquê. E o tal do meu gestor, que desde lá no início eu mencionei que o meu santo não batia e que se provou durante todo esse tempo ser um grandissíssimo filho da puta (por diveeeersos motivos que eu nem sequer cheguei a citar aqui, coisas num nível tão alto de absurdo), simplesmente fez uma reunião online depois do episódio da demissão com as pessoas que sobraram. E nela, teve a pachorra de dizer que não conseguia fazer o exercício de empatia, de se colocar no lugar dos que saíram, porque ele não sabia o que era aquilo, já que sempre trabalhou PJ. Caralho, meu anjo???? Eu até desliguei a webcam na hora porque eu tava tão puta que dava pra ver pela minha cara. E, pra piorar, o dono da empresa disse a seguinte frase (aliás, disse e repetiu mais de uma vez): "nessa pandemia, vai ter mais falimentos do que falecimentos" - e disse isso rindo, como se fosse uma piada. Como se as milhares, talvez centenas de milhares de vidas que serão perdidas por conta dessa doença fossem menos importantes do que... Números? Dinheiro? Empresas quebradas? O MEU MAIS SINCERO VAI TOMAR NO CU. Não, eu não consigo não dizer. Eu não consigo engolir esse tipo de coisa toda vez e ficar quieta. Até agora, não falei nada, mas como eu disse lá em cima: estou há um passo de chutar o balde. De verdade. Por mais que eu desabafe com a minha psicóloga, com a minha melhor amiga, e aqui no blog, eu simplesmente acho que alguma verdade tenha que ser dita na cara desses fdps. Não entendo a falta de respeito, é algo sem cabimento pra mim.

E essas não foram as primeiras falas absurdas do meu gestor e do dono. Tem várias coisas que eu poderia listar, como por exemplo: ser contra greves; ser a favor do desmatamento nas nossas matas; falar mal do próprio filho (essa veio do meu gestor que diz "adorar crianças" e "se sentir realizado sendo pai"... coitados dos filhos desse merda), e muitas outras coisas mais que eu não quero nem lembrar porque já estou tendo que aguentar desgraça demais por agora. Uma das coisas que mais me estressa é aguentar as coisas calada. Por mais que eu seja boa nisso e tenha sido assim a minha vida inteira, eu sou daquelas pessoas que tem um pavio super longo, mas quando ele termina, explodem de uma forma absurda. Eu não consigo ficar irritada por qualquer coisinha, mas conforme vou acumulando, e vendo injustiças e sendo tratada com falta de respeito, as coisas vão beirando o limite. E, claro, pra se somar a tudo isso, tem todo esse momento em que estamos vivendo - que, aliás, nos deixa mais alertas e mais propensos à agressividade. Eu não quero e provavelmente nem vou ser agressiva com ninguém (mesmo que mereçam), e é bom liberar um pouco dessa tensão (ter escrito tudo isso ajudou bastante, na verdade), mas a coisa que mais me motiva nesse momento é saber que tudo é temporário e o tempo tem uma forma especial de nos mostrar que às vezes os perrengues trazem lições valiosas. E, como já passei por diversos perrengues na minha vida, meio que já estou calejada. Então, as experiências fazem toda essa situação se tornar um pouco mais fácil de aguentar.

E, creio que seja isso. Consegui atualizar basicamente tudo o que me aconteceu nos últimos meses, ao menos no quesito pessoal e trabalho, e principalmente desabafar, acho que valeu. Desculpem o post extremamente longo, aliás, nem tô botando muita fé que alguém vá ler isso xD

Resumo da ópera: o mundo dá muitas voltas e quando as desgraças acontecem, elas vêm todas ao mesmo tempo e uma pior que a outra como numa bola de neve, mas o que resta para nós senão ir segurando firme e seguindo em frente, um dia de cada vez?

Encerro esse post pedindo encarecidamente que: fiquem em casa e se cuidem! ;*

P.S.: Declaro esse oficialmente o maior post desse blog e possivelmente da minha vida toda xD
P.S.2: Dentre outras coisas, consegui atualizar as colunas aí do lado no blog, finalmente. Finalmente.

6 comentários:

  1. Helo, se eu te contar que consegui ler esse seu post duas vezes ganho um "parabéns"? HAUHAUWHAUHWUAHWUA
    Uma foi antes de dormir, vi que o post tava bem recente, não fazia 10 minutos que estava postado, mas né estava capengando de sono, mas li de qualquer maneira porque ler faz bem. (ノ・ω・)ノ

    A segunda foi na hora do almoço, ou seja, enquanto estava com meu pratinho de comida, estava lendo sua postagem... E menina, dá pra escrever uma novela com a situação, inclusive fiquei imaginando todas as suas reações perante as situações.

    Foda ter que ficar pensando em duas pessoas, mas com relação a F, você fez o certo. Acho que antes dar "um pé na bunda" por msg, antes de vocês terem saído, do que realmente chegar no fim do date e "olha amigo, não vai rolar". Mas o lance da mãe dele falecer diante de tanta situação, meu deus, a vida só dando uma rasteira! D:
    Nem falo nada do gestor e do dono porque né, sem comentários. Eu sou bem pavio curto, mas tento ser o mais racional possível porque penso que no fim das contas não vale a pena perder tempo com esse tipo de gente e que isso "é temporário". Porém, que é triste e lamentável, isso é. No fim, acredito que os perrengues tem muito a nos ensinar também.

    Se cuide, Helo ♥
    Um beijo e um pão de queijo, não esquece de lavar as mãos e beber água ;*

    ResponderExcluir
  2. Eu li a primeira parte do post como se estivesse lendo um livro YA ou um chic lit, tava adorando apesar de ser bem triste — me lembrou da época que eu era solteira e vivia me enfiando em umas coisas assim. E, olha, eu acho que, antes de ter rolado algo com A., você provavelmente não seria capaz de superar ele nunca porque tudo que a planta dúvida na gente, a gente simplesmente não supera. Sempre fica aquele "e se tivesse rolado?" no fundo do nosso pensamento. Claro, a gente supera no sentido de seguir em frente com nossas vidas, e até encontramos outras pessoas, mas se a pessoa com quem estamos no agora não for mais importante que a do passado, é muito fácil voltar toda a paixão caso a pessoa do passado reapareça e nos dê trela, HAHA.

    Essa pandemia tá mostrando algo que todo mundo já sabia, mas ninguém tinha a coragem de dizer: tem muito empresário merda nesse mundo. Lucro acima de vidas, sempre. Você tem toda a razão do mundo em estar indignada e sair desse trampo talvez seja a melhor coisa pra você agora — pena que pode rolar um impacto financeiro ruim, né? Espero que não chegue a te prejudicar tanto.

    Parece que 2020 veio pra arregaçar com o mundo. Conheço muita gente que tá passando por muitos perrengues. Aqui em casa, minha mãe foi diagnosticada com um câncer bem agressivo, então as coisas estão bem difíceis também. Já seria difícil lidar com essa notícia sem uma pandemia, mas com a pandemia tá simplesmente impossível. Eu não sei se saio de 2020 viva.

    Beijinhos Helo, espero que as coisas melhorem pra você! ♥

    ResponderExcluir
  3. Me divertir demais com seu post e espero ganhar uma estrelinha dourada pois li tudo! Além de ter passado o rodo no texto, também de identifiquei muito em vários aspectos, principalmente na questão do timing. Meu pai eterno, eu tenho 0 habilidade de flerte e 1000 em vergonha, mas quando se trata de alguém que não estou afim: phd em flertes.

    Confesso que ri horrores na hora que vc disse que deu um fora no F. por ele ter apertado 17 (porém ri com respeito, pois passo pela mesma situação :') só que acho que com toda essa questão da pandemia etc o dito cujo já se tocou, oremos)

    Mega complicado esse triangulo amoroso que tu se meteu, mas achei a tua atitude a melhor possível e realmente admiro o quanto vc é honesta <3

    Sobre a quarentena... é... tá foda pra geral, eu nem sei direito o que dizer, além de que tá todo mundo que nem uma barata tonta fula da vida. O pior de tudo é que do jeito que o nosso querido amado perfeito preseidente do Brasil tá """""""administrando"""""""" a situação só vamos sair dessa em 2023.

    O choro é coletivo (╥﹏╥)

    ResponderExcluir
  4. Oi Helo, fia!

    Sei que não posso fazer muito quando o assunto é saudade de abraços, mas cá vou eu te mandar um abraço virtual *abracinho*, não é muito, mas o que vale é a intenção!

    Menina do céu, teu post poderia muito bem render um enredo de livro, sabia? Caraaca vei, quanta coisa, quanto plot twist, teve direito até a pequenos surtos da minha parte (porque sim fia, eu sou a maluca dos romances, fico animada com a mínima interação fofinha que rola).

    Velho, esse lance da tua empresa foi foda, viu? É realmente desgastante quando você se investe em um trabalho, quer que ele dê certo e, por motivos afins, aquilo que você gostava começa a te sugar energia (E esse gestor hein? Mal conheço e já tenho ranço)

    Sobre romances, eu te entendo. Explicando um pouquinho da minha parte, é assim: tinha um cara (que chamaremos de J.) que era simplesmente o meu número. Bonito, cheiroso, inteligente, gentil, leitor assíduo, gostava de animes (ele assistiu Kuroshitsuji por minha causa, aliás, acredita?), e tinha tudo, absolutamente tudo pra a gente dar certo - isso é, até o dia em que disseram pra ele que ele tinha que melhorar as "interações sociais" dele com a turma, e ele levou isso ao pé da letra. Ele se misturou com o povo da minha turma, mudou muito e, pra botar da lápide no túmulo das minhas expectativas, ele foi super insensível com a minha amiga (que é pan e ainda estava pensando se ia se assumir ou não), quase revelando isso pra turma sem a permissão dela. Tanto eu quanto ela acreditamos nele, e isso aconteceu. Eu fiquei tão triste, tão puta, que fiz questão de me afastar. O pior é que eu ainda gosto dele, sabe? Mas, nesse caso, dificilmente vai ter volta, para minha tristeza.

    Em todo caso, fia, te desejo energias positivas para passar essa quarentena. Vamos esperar que dias melhores virão, por mais improváveis que eles pareçam (graças ao zé bostinha do presidente).

    Um xero <3

    ResponderExcluir
  5. Helo, só passando rapidex pra responder: pode fazer o moodboard sim ♥ Quero ver o seu aaaaaa ;u;

    ResponderExcluir
  6. Ai Helo, me identifiquei tanto com umas coisas nesse post! Hahahaha! Adorei sua terapeuta te dando umas ideias HUASHUAHSUAHUS!

    Olha, não acho radical sua postura não. As pessoas esquecem que posicionamento político tem a ver com como você vê o mundo, como você se coloca na sociedade, e alguns posicionamentos são inaceitáveis. Acho que o ideal é fazer como você, e colocar um ponto final, em vez de ficar ali com a pessoa pq é conveniente. E pelo que você disse, rolaram outras discordâncias aí no caminho, né?
    E bom, acho que ninguém precisa ser uma pessoa ruim só pq não combina com a gente. Pelo menos não me passou essa impressão, então ficque tranquila com seu relato. XDDD

    AGORA, PQP HEIM DONO A???? COMO ASSIM??? QUE PALHAÇADA????
    Altas emoções esse plot! Mas acho que pelo menos um fora dá uma sensação de encerramento, e a gente pode enterrar as coisas e seguir em frente, né?

    Essa história com o F. me lembrou uma 'amiga' que ficou com um cara que eu gostava, sabendo que eu gostava dele. Daí uma semana depois, o pai dela morreu. E mesmo sem querer falar com ela, acabei sendo a pessoa que mais a apoiou. A ironia? Um mês depois o cara terminou com ela, porque queria focar no vestibular, e ela acabou nem passando nas provas naquele ano. Eu entendo muito bem o que é se sentir culpada mesmo sem fazer nada de errado --'''

    Sobre o rolê da diminuição: a empresa da minha mãe fez a mesma coisa. Eles diminuiram a carga horário (o 8h às 18h virou 8h30 às 16h), mas eles pegaram o subsídio do governo pra cobrir o que tá sendo descontado. Ela tá de férias, mas recebeu tudo direitinho. Tô achando um absurdo você ter de trabalhar nas férias E com redução de salário, tho, mas entendo :/
    Apesar de tudo, eu entendo sua situação. Eu passei por muita coisa parecida onde eu trabalhava, e embora não tivesse nenhum problema pessoal com a dona da clínica, tinha vários com como ela tratava as funcionárias dela, com o descaso com algumas coisas BÁSICAS pro nosso trabalho, com a irresponsabilidade e a bagunça... enfim, sabe? Eu acabei saindo pela minha saúde e pra não acabar arrumando encrenca. Entendo o que você tá falando, e espero que não chegue a esse ponto - essa euqipe parece ser o tipo que tentaria te manchar no mercado só pra fazer vingancinha!

    Espero que as coisas se resolvam da melhor forma, e que o stress não te faça mal (menine, aprendi NA RAÇA a não subestimar o stress e o cortisol!). Um beijo e um abraço pra você menine <3

    (obs: fui comentando no bloco de notas pra não me perder e preguicei de revisar meu comment, perdoa e não desiste de mim ;w;)

    ResponderExcluir

Vai comentar, velhinho? Fico agradicida!
Mas por favor, sem spam ou xingamentos, o resto ta liberado! 8)

Alguns emoticons dywos, use sem moderação:
ಠ◡ಠ . ( ͡° ͜ʖ ͡°) . (ノ・ω・)ノ . (σ≧▽≦)σ . ツ . ¯\_(ツ)_/¯ . (╥﹏╥) . ♥ . ☻ . ✿ . ☮ . ☯ . ® . ™ . ♣ . ✌ . ♪ . ♫